Pages

20/04/2014

Desmoronamento

Comecei a montar um quebra-cabeças de 2000 peças.
(Estou a procura de passa-tempos que preencham a minha vida e a minha cabeça).
Pois fui em uma loja, comprei um quebra-cabeças.
É uma foto de uma paisagem bucólica bem bonita. Um céu azul com poucas nuvens, duas árvores, uma verde outra amarelada. Uma casinha, um lago com uma ponte e uma montanha ao fundo. 
Comecei a montar no mesmo dia. 
Comprei um acessório que se chama porta-puzzle, para montar o quebra-cabeça em cima, assim eu poderia guardá-lo com facilidade.
Fiz tudo certo.
Eu fiquei com preguiça de mover o que já tinha montado para o porta-puzzle. Sabia que daria trabalho, pensei: faço isso amanhã.
No dia seguinte, estava cansada e decidi adiar mais um dia.
E mais outro e mais outro.
Foi quando eu percebi que o quebra-cabeça era muito grande para a mesa.
Nessas alturas, já tinha uma boa parte montada.
Escolhi ignorar e simplesmente continuei montando.
Quando me bateu o desespero, tentei transferí-lo de lugar. 
Mas toda vez q eu tento, acabo desmontando uma parte.
As coisas começaram a ir meio que na negativa. Eu monto um pouco, desmonto um pouco porque já não cabe na mesa e eu fico acidentalmente empurrando as peças já montadas para o chão.
E então eu percebi o quanto essa história encaixa como uma ótima metáfora para a minha vida e para o modo que eu enfrento os meus problemas desde sempre. E como lidei com tudo até agora e como era tão mais fácil ter feito as coisas direito lá no início e agora eu estou aqui tentando remendar os pedaços que estão desabando e quando eu consigo remendar um buraco aqui eu causo uma catástrofe ali e enquanto eu tento entender o que causou a catástrofe eu continuo montando montando montando até que a mesa fique coberta de pedacinhos montados, alguns deles eu nem sei se com as peças certas.
E eu nunca mais vou conseguir juntar tudo em uma imagem bonita de um céu com poucas nuvens, uma casinha, um rio com uma ponte, duas árvores e uma montanha ao fundo.




10/04/2014

Xeque-mate

Ah, 2014...

Eu demorei para entender o que é que você tinha reservado para mim. Como todos os anos pares, entrei preparada para te receber com todos os seus obstáculos. Mas entre todas as possibilidades que eu enumerei na minha cabeça, não havia pensado nessa.

Foi uma boa jogada.

Xeque-mate para você.


09/01/2014

Feliz ano velho

É muito difícil ser uma pessoa melhor. Inevitável nessas épocas fim-de-ano-começo-de-um-novo-ano pensar nesse tipo de coisa. Eu, que parei a tempos de fazer planos, volta e meia me pego sensibilizada com a possibilidade de uma nova era e me encho de um sentimento momentâneo de desejo de mudança.

Esse ano cheguei a fazer um pequeno ritual inventado por mim mesma e fiz um pedido ao universo. É uma coisa meio patética, o ser humano. Enquanto eu segurava o papelzinho no qual escrevi o meu desejo, eu olhava ao meu redor e via as pessoas vestidas de branco, felizes, que pulavam sete ondinhas e coisa e tal. Aquele sentimento geral de "esse ano vai ser diferente, vai ser melhor" era tão forte que cheguei a sentir o seu cheiro no ar. Tive vontade de chorar. Senti pena de mim mesma enquanto me agarrava àqueles desejos com toda minha força.

Tentei utilizar o ritual como forma de adeus, já que sei que o que pedi não vai se concretizar. Tipo um funeral ou algo parecido. Mas uma parte pequenina dentro de mim ainda exigia que o universo me escutasse. Garota tola. Chorei um pouquinho.

Como ia dizendo, é muito difícil ser uma pessoa melhor. Fiquei pensando na pessoa que fui, e que era boa em alguns aspectos, e na que sou, que também é boa em alguns aspectos, só que ela é pior do que a anterior. Tentei lembrar do que aquela menina gostava, o que a fazia ser do jeito que era.

- Gostava de andar a cavalo. Nunca foi muito boa, mas era uma coisa que ela queria aprender;
- Queria aprender a tocar piano;
- Queria ser uma atriz famosa;
- Gostava de subir em árvores (por mais que deteste o clichê envolvido nessa sentença, ela é verdadeira);
- Gostava de atividades físicas e esportivas, especialmente gostava muito de nadar;
- Queria ter muitos filhos para que nenhum deles jamais se sentisse sozinho;
- Sabia aceitar elogios e acreditava nas pessoas que os ofereciam;
- Tinha uma auto-estima razoável: sabia que não era a última bolacha do pacote, mas também não era de se jogar fora.

... entre outras coisas. Tentei entender o que matou a pessoa descrita acima, e senti pena dela. Um sentimento horroroso e egoísta, mas totalmente honesto.

É muito difícil ser uma pessoa melhor. E continuo acreditando que o que realmente mudou foi que em um segundo era 31 de dezembro e no outro, já era 01 de janeiro e a gente não se sente nem um pouco diferente nesses dois.


17/12/2013

Ponto de Virada

Eu, como protagonista de minha vida, me sinto no direito de chegar ao ponto de dizer apenas "chega". Me dou a permissão para sentar no chão de pernas cruzadas e simplesmente me recusar a fazer qualquer movimento até que passemos ao próximo capítulo. Capítulo este que, explico aos meus leitores, é aquele no qual as coisas passam a dar certo para a protagonista e ela finalmente tem a possibilidade de colocar tudo o que aprendeu com as dificuldades e os erros em prática.

Um capítulo de respiro, de sossego para o expectador, que assim como a protagonista não aguenta mais esperar o ponto de virada. Me coloco no total direito de exigir que as coisas melhorem, se não.... Eu, como a personagem principal dessa vida,  me declaro em greve geral. Convoco tudo o que possa existir em termos de deuses, santos, espíritos, entidades, seres terrenos ou não a pararem de me provocar e me darem um tempo. Me dá só um tempo. Não acho que é pedir demais. Não acho que estou pedindo por nada demais.

Como dona da minha vida, venho por meio desta avisar que cansei. Que cansei faz muito tempo e que não sou obrigada a aguentar mais nem um segundinho. Está na hora daquela reviravolta esperta. Finalmente chegou o momento. Estou pronta para ela, estou totalmente disposta a aceitá-la. Chega dessa enrolação, isso só serve para deixar os expectadores frustrados.

Então é isso. Isso, ou somente me façam parar de me importar. Qualquer um dos dois já vai ser de grande ajuda. E deus sabe o quanto eu preciso de uma ajuda.

Obrigada.


01/12/2013

Foda-se

Eu sempre fico meio chateada com a minha total letargia. Tenho muita inveja das pessoas que explodem e brigam com quem querem brigar e que ficam com muita raiva ou que ficam muito tristes ou muito alegres. 

Ultimamente estou me sentindo mais "meh" do que nunca. Outro dia tive um motivo para ficar triste e tive vontade de ficar mesmo e de chorar por horas e de me sentir uma merda e a coisa toda, mas não consegui. Sentei na minha cama e esperei vir o turbilhão, me preparei para sentir os sentimentos. Mas eles não apareceram e eu fui dormir um pouco confusa.

Acho que isso me impede de ter problemas piores, tipo entrar em depressão profunda, mas ao mesmo tempo acho que deve ser legal extravasar. Eu tenho tudo muito guardado há muito tempo e isso é muito chato.

Daí que outro dia me veio uma vontade incontrolável de sair correndo pela rua gritando:

Foda-se.

Só isso. Queria mesmo correr por 2 horas seguidas e gritar FODA-SE bem alto. Era isso que eu queria fazer naquele momento. Só correr e gritar foda-se o mais alto que eu conseguisse.

FODA-SEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!


Mas eu não gritei.



 

18/11/2013

A Am C D Dm E Em e G

Às vezes tenho umas ideias loucas (já falei sobre isso) que normalmente consistem em coisas para eu fazer na tentativa de ocupar a minha cabeça.

A onda do momento é aprender a tocar violão.

Primeiro pensei em fazer aulas, mas não suporto a ideia de alguém olhando pra mim e só pra mim e reparando no que estou fazendo e me fazendo críticas e me julgando e me ensinando e me corrigindo e me elogiando, por isso acabei por decidir em fazer um curso online. Acho que comecei há duas semanas, e agora me encontro no momento em que penso em desistir. Que penso em jogar no lixo o maldito violão de 168 reais (o mais barato da loja) e mandar tudo pro meio do inferno, porque é difícil demais e eu não consigo ver muitos resultados, jamais vou aprender, estou velha e etc.

Não consigo contar quantas vezes já passei por isso. Fico imaginando quando vai cortar para uma montagem rápida de eu treinando com afinco, aprendendo rápido e evoluindo até conseguir tocar uma música linda que arranca lágrimas da minha platéia. E não é só o violão, é o violão, o piano, o francês, o holandês, o artesanato, é tudo que eu coloco a mão porque nunca aprendi a ser perseverante e nunca aprendi a insistir nos erros até que se tornem acertos e que do esforço surgem as oportunidades, nem nada disso.

Aprendi a desistir.

Desistir é o caminho mais fácil e seguro, e ele tem sido o meu bom e velho amigo desde sempre.

Daí que eu parto para uns assuntos totalmente não relacionados, tipo tudo na minha vida basicamente, e na minha cabeça ecoam as vozes dos que dizem "Não desista! Dê mais uma chance!" e eu penso que talvez eles estejam com a razão, mas que é muito difícil não desistir e enxergar a luz no fim do túnel, que eu sei que está lá, eu só não estou vendo. Que eu deveria dar uma chance a mim mesma e também uma chance ao violão, como todas essas pessoas que vemos diariamente combatendo suas dificuldades e problemas e vencendo na vida, e elas estão em todos os lugares e me consomem até a última gota, mas eu só olho pra elas e penso "de onde você tirou forças pra lutar?", é essa a pergunta que eu faria a elas, se tivesse a oportunidade. Porque meus problemas são escuros demais pra iluminar com uma lanterninha, e se eu não consigo nem tocar uma música de 2 acordes, como vou conseguir lidar com todo o resto?

E enquanto isso, eu fico pensando em quanto será que eu vou conseguir se vender o maldito violão.